sábado, 29 de agosto de 2009

COMUNICADO

Senhores,
A partir de hoje vejo o mundo com outros olhos.
De antemão confesso que o início tem sido meio conturbado e que não se vou conseguir me adaptar a essa mudança, ainda que esteja consciente da sua importância e necessidade.
As coisas andam meio estranhas... turvas, eu acho... mas, mesmo inconscientemente, me recusava a aceitá-las assim.
Já faz um tempo que venho fazendo um certo esforço pra enxergar tudo com mais clareza. Mas recentemente o quadro vem se agravando e cada dia vai ficando mais difícil focar, principalmente as situações mais próximas de mim, aquelas bem diante dos meus olhos.
Tanto esforço tem me dado dor de cabeça. Tem me feito chorar.
E só me dei conta de que precisava tomar uma atitude, só percebi que alguma coisa estava errada, quando um observador atento me questionou o por quê das rugas na minha fronte.
Daí tudo ficou claro...
Bastou ligar pro Dr. Otoniel e... batata!
" Bem-vinda ao clube dos hipermétropes-astigmáticos!"

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Coisas, Pessoas e Lugares


Você é sempre você?
Ou melhor... você consegue, sinceramente, ser a mesma pessoa em qualquer circunstância? Em qualquer lugar? Na presença de quem seja?
Tem certeza?
Quem é você?

Desculpa... é que eu não acredito nisso. Na verdade até seria capaz de apontar algumas pessoas que acredito que se encaixariam nesse perfil. Mas daí já seria eu falando do que acho que o outro seja... É que pra mim, pensar que, no fundo, no íntimo, ali naquele cantinho escondido do seu eu, uma pessoa tenha uma conduta sempre tão coerente me impressiona. Tudo bem... sei que é limitação minha.

É que tenho pensado muito no poder que as coisas, as pessoas e os lugares exercem sobre mim. Entende o que quero dizer? Falo das propriedades que cada um deles tem, de uma espécie de campo magnético inerente a cada matéria, que, ao entrar em contato com o meu campo magnético tem o poder de me transformar em alguma medida e causar um determinado efeito. É claro que nessa dinâmica físico-química (??!) o fator memória emotiva exerce total influência na vibração dos magnetismos. É viagem? Né não. Quem não sabe explicar, exemplifica. Então lá vai:

Afirmação n.1: das Coisas - Quando eu ponho o meu vestido florido me sinto mais leve que quando uso uma calça jeans.
Meu humor fica outro, juro. Provavelmente nesse caso o fator memória emotiva seja o principal atuante, uma vez que usar vestido florido me remete a fim de semana e não a trabalho.

Afirmação n.2: das Pessoas - Algumas pessoas têm a capacidade de mudar completamente meu estado de espírito.
Pro bom e pro ruim. Pessoas elétricas me deixam uma pilha. Gente mau humorada me leva junto. Por isso é que eu prefiro as leves. E as bem-humoradas. As que me fazem rir. E cada dia admiro mais as lentas.

Afirmação n.3: dos Lugares - Pra cada ambiente, uma Ana Carla diferente (hahaha...!).
Os significados dos lugares pra mim são o resultado da interação campo magnético X memória emotiva. E em cada um deles reajo de uma maneira. Em alguns lugares sou conhecida por ser zen e bem-humorada. Em outros meu mau-humor é insuportável. Um dia um colega do teatro me apelidou “a menina com cara de vento”. Na mesma ocasião em que um relacionamento afundava de tão pesado.

Por estas e tantas outras, meus caros, não consigo, e nem que quisesse, não poderia me definir por mim mesma. Se hoje me perguntassem quem eu sou, diria que depende do onde, do como e do com quem (e olha que optei por deixar de fora as variações de acordo com o dia do mês...).

Às vezes acho isso triste. Às vezes acho divertido. No fundo acho cansativo.

Pois bem... o lado bom de navegar no mar da inconstância é a riqueza de coisas, pessoas e lugares que me acontece. Viver me ajuda a compreender o que quero e o que não cabe mais. E quanto mais vejo, quanto mais sinto, quanto mais ana carlas sou, mais próxima estou de chegar aí nesse lugar que você está. Em terra firme. Pés bem plantados no chão e a serenidade de saber que a base de toda fortaleza se constrói com paciência e persistência.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Volver

Só volta pra um lugar quem foi pra outro lugar.
E este, quando volta, já não deve ser o mesmo que foi.
Sendo outro o que então retornou, que se pode dizer do seu lugar de origem?
Ainda será seu? Ou quando mudam os referenciais se inverte o trajeto?
Não... origem não se muda. Mas quando um vai e outro volta me parece natural que o ponto incial já não tenha um mesmo significado. Ou não?
E quando este torna a voltar pra onde volta? E quem volta?
Caminho cheio de voltas é caminho revisitado... rico em ângulos de visão.
Mas não deixa de ser caminho confuso.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Língua

"- Carla, lá na Espanha falam o quê? Inglês?
- Não, Dona Dira, espanhol.
- Ahhh... e o que é mais fácil? Inglês ou espanhol?
- Pra gente que fala português é mais fácil entender o espanhol.
- Que coisa, né? Todo mundo devia era falar a mesma língua, né não? Aí não ia ter essa complicação toda..."

Calei. Nunca tinha pensado nessa hipótese. Engraçado perceber que quanto mais informação, menor a capacidade de abstração. Naquele dia passei algumas horas pensando em como seria o mundo se todo mundo falasse a mesma língua. Pensei na colonização do Brasil, na argumentação dos índios durante uma tentativa de catequização. Pensei na relação da língua com a cultura de cada lugar e me apavorei com a idéia de uma globalização pré-histórica. Pensei nas origens dos sotaques. Cantarolei um trechinho da música "Língua" de Caetano e não consegui imaginar como ficaria a noção de pátria. Pensei na origem da lingua falada e nas múltiplas linguagens que o ser humano é capaz de desenvolver. E em mais uma meia dúzia de divagações até cansar e me distrair com alguma outra coisa.

Mas que viagem, Dona Dira!! Ói, me deixe, viu?...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Fechar ciclos ou Abrir portas?

Sempre me custou um pouco fechar coisas. Em algum momento da vida comecei a estudar piano, violão, canto, flauta, dança flamenca, catalão, pratiquei basquete, natação, remo, musculação, aeróbica, yoga, meditação… O que todos estas atividades têm em comum? O fato de eu não ter dado continuidade a nenhuma delas depois do terceiro mês consecutivo de prática. Tem aquela que deixei na segunda semana, outra que resistiu até um mês, outra que até prolonguei por um ano, mas sempre dando um intervalinho básico. O curioso é que em todas elas, até onde me permiti ir, me senti bem e tive bom desempenho, com exceção bem grande do curso de catalão (ui!). Daí se pode concluir muitas coisas. Uma delas, é que não sou lá muito disciplinada e isso eu mesma já tinha contado aqui antes. Outra conclusão possível é a de que sempre quero muitas coisas, mas nunca sei na verdade para onde apontar. Ou que me entedio das coisas muito rapidamente. Ou que não tenho mais o que fazer e fico inventando arte (ihhh…acabo de lembrar da faculdade de teatro que também nao terminei…). Fico com a interpretação que diz que sou muito hábil em abrir portas, mas uma declarada incompetente em fechar ciclos.

Como boa pisciana nostálgica, pensar em terminar coisas já me dá aquela dorzinha de barriga que acusa o nervosismo. Só para se ter uma noção do tamanho da doença, tenho alguns livros lidos só até o início do último capítulo, alguns potes com cosméticos inacabados…hahaha…. E na vida prática, quando o fim é inevitável, é um tal de chororô, tristeza, melancolia, um vazio… vixe… uma presepada.

Por outro lado, começar coisas me excita na mesma proporção que me amedronta. E penso que por isso mesmo me instiga mais ainda. Quero, necessito, amo o novo. E de novo. E de novo. E sempre.

Hoje compreendo que essa inconstância faz parte de uma busca e que cada pecinha tem sua importância na construção de um caminho. O esforço então passa a ser o de construir um caminho feito de polilinhas fechadas… (hahaha… piada interna). Acho que depois que passei a enxergar isso passei a me expor cada vez mais a ciclos curtos. Em cada vez menos tempo faço cada vez mais coisas e, como consequência, sou obrigada a lidar com o fim delas.

Pois bem... esse post coroa mais um ciclo que se encerra. Também este post é parte de uma presepada nostálgica.

Em pouco menos de cinco meses conheci pessoas, me identifiquei, viajei, ri, me entediei, tentei fugir, chorei, resisti, sofri, disfrutei, me encantei. E me despedi. Alguns rostos seguramente não verei mais. Outros farei o possível para reencontrar. Com alguns certamente falharei. O que passou vai pro baú das recordações, mas não sem antes se lambuzar com duas ou vinte duas lagriminhas de saudade antecipada. Agora é momento de arrumar a casa para dar espaço pro tão desejado novo.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Balanço 2

Tomando como referência o tempo natural, o qual constumamos dividir em segundos, horas, dias, anos, etc, completo hoje 4 meses em Barcelona. E mais uma vez vamos nos impresionar: “Jáááááááá?????? Noooossa, como o tempo passa rápido!”. E muito sabiamente uma voz me corrigirá, dizendo: “Não é o tempo que passa, e sim, nós que passamos por ele”. Seja como for, o fato é que quando penso que já passei um terço do tempo que planejei para minha estadia em Barcelona…uhhh… por um lado me assusto, juro. Por outro… me acalmo… não é nenhum bicho-de-sete-cabeças e acho que já aprendi a conviver com a saudade que não me deixa um só minuto.

Mas se tomamos como referência o tempo psicológico, aquele medido pelo que vivemos, fazemos e sentimos… olha… já devo estar aqui há pelo menos o dobro do tempo. Caramba, quanta coisa passou, por quantas coisas passei, quanta informação, quantas sensações… intenso mesmo, viu?

Seguindo a mesma configuração do balanço do primeiro mês, deixa só eu listar algumas coisas que passaram nesses 4 meses e que me vêm agora à cabeça:

- Fechei minha primeira estação em Barcelona: cheguei no fim do inverno, acompanhei toda a primavera e agora acabamos de entrar no verão. Estações bem definidas com mudança de paisagem e tempertauras… gente… eu nunca tinha visto isso na vida!!!


- Já morro de calor na rua, ando de sandalinhas, camiseta, vestido… Preciso comprar um filtro solar, o povo já tá me chamando de morena!!


- Já fui a Milao, Veneza, Valencia, Madrid, La Vera, Girona, Tarragona…


- Já afirmo para quem quiser ouvir: adoro esse cidade, cada dia mais e já posso servir de guia para quem se aventurar por essas bandas!


- Já comecei e larguei um curso de catalão


- Já misturo o português com o español…rsrs… isso é real gente… algumas palavras como piso (apartamento), locutorio (cyber), basura (lixo), são inevitáveis. Eu achava que isso era coisa de gente que gosta de aparecer, mas sempre que estamos entre brasileiros falamos do quanto isso é engraçado.


- Já dou informação na rua pros turistas desnorteados…haha


- Já tô terminando a primeira parte do Master e planejando uma mudança nos meus estudos (mais informações em breve…)


- Já nao converto mais euro em real. Para mim hoje 1 euro = 1 real. Se não for assim… Uff… melhor desistir de viver aqui.

- Já troquei o “afemaria” ou o "ixe" pelo “uffff”, percebeu?


E tantas outras que nem tem como traduzir. Tantas, tantas. Aprendizado intenso. Recomendo a experiência… viu Rosana????

Pros que ainda não viram, atualizei as minhas fotos no www.picasaweb.google.com/acclira. Clicando na galeria de fotos que pus aqui no blog se pode acessar uma das pastas. Mas pode procurar direitinho que já tem um monte de fotos distribuídas em várias pastas.

Já sei que não cumpri a promessa de postar textos aqui com mais frequência… Muitos deles ainda estão na minha cabeça aguardando o momento de virar palavra. É que junto com todas as experiências também tô aprendendo a não me cobrar tanto e fazer as coisas no meu tempo... (uma maneira bonita de dizer tô curtindo a vida boa sem culpas).

Desta vez prometo me esforçar mais para cumprir minhas promessas, ok?